A Câmara Municipal de Toledo aprovou por unanimidade, na tarde desta segunda-feira (18), em primeiro turno, a cassação dos mandatos dos vereadores afastados Dudu Barbosa (MDB) e Valdomiro Bozó (PL). As votações dos Projetos de Resolução Nº 14 e Nº 15 ocorreram durante a 16ª Sessão Ordinária de 2026 e tiveram 16 votos favoráveis em ambos os casos.
Os processos tiveram como base a Representação Nº 01/2025, que aponta supostas violações aos princípios da Administração Pública e indícios da prática de corrupção passiva envolvendo o Projeto de Lei Nº 149/2024, de interesse da empresa Toledo Energia Renovável Ltda.
A sessão foi marcada por discursos fortes dos vereadores Marcos Zanetti (Cidadania), relator do Conselho de Ética, e Professor Oséias (PP), relator da CCJ. Ambos defenderam a cassação e afirmaram que o Legislativo precisava dar uma resposta à população.
Marcos Zanetti afirmou que o caso revelou um “sistema pesado” dentro da política e criticou decisões que, segundo ele, tentaram proteger os parlamentares investigados. O vereador destacou a gravação feita pelo empresário Gilberto Allievi dentro da sala da presidência da Câmara e relembrou que os celulares teriam sido retirados antes da conversa. “Isso é Toledo, não é Brasília”, afirmou durante o pronunciamento.
O relator também mencionou trechos da investigação que apontam a suposta solicitação de R$ 300 mil para aprovação do projeto, valor que teria sido citado como sendo “dividido por sete”. Segundo Zanetti, a gravação e os depoimentos reunidos no processo foram fundamentais para o avanço da denúncia e para a decisão do Conselho de Ética.
Já o vereador Professor Oséias afirmou que o papel da Câmara era analisar a conduta ética e moral dos parlamentares, independentemente da esfera criminal. “O Legislativo atua no seguinte cenário: é moral ou imoral?”, declarou. Ele também criticou o uso do gabinete da presidência para reuniões reservadas envolvendo empresários e disse que havia “meios republicanos” para tratar do projeto sem necessidade de encontros fechados.
Durante o discurso, Oséias citou trechos da sentença proferida pela Justiça nesta segunda-feira e afirmou que o caso representa uma das páginas mais graves da história recente do Legislativo toledano.
A votação ocorreu no mesmo dia em que a 1ª Vara Criminal da Comarca de Toledo condenou Dudu Barbosa e Valdomiro Bozó pelo crime de corrupção passiva. A sentença, assinada pelo juiz Murilo Conehero Ghizzi, fixou pena de sete anos, nove meses e 10 dias de reclusão para cada um dos réus, além do pagamento de 180 dias-multa e da perda dos mandatos e cargos públicos.
Apesar da condenação, os dois poderão recorrer em liberdade. O magistrado manteve, porém, o afastamento cautelar dos cargos eletivos.
Conforme entendimento da Procuradoria Jurídica da Câmara, a cassação exige quórum mínimo de dois terços dos vereadores. Mesmo com a ausência dos parlamentares afastados e sem o voto do presidente Gabriel Baierle (União Brasil), que se declarou impedido por figurar como testemunha no processo judicial, a votação atingiu unanimidade entre os presentes.
Os projetos ainda precisam passar por votação em segundo turno para confirmação definitiva da perda dos mandatos.
Da Redação
