A discussão sobre os novos pedágios do Paraná, as obras previstas para a região Oeste e a falta de investimentos importantes em Toledo dominaram o “Almoço com a Indústria”, promovido nesta terça-feira (26) pela Associação Comercial e Empresarial de Toledo (ACIT), com apoio do Sistema Fiep.
O encontro reuniu empresários, lideranças políticas e representantes do setor produtivo para debater os desafios logísticos e de infraestrutura da região. O principal destaque foi a palestra do superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, que apresentou um panorama completo das futuras obras rodoviárias, ferroviárias, aeroportuárias e portuárias do Paraná.
Durante a apresentação, João Arthur detalhou os investimentos previstos no novo modelo de concessão das rodovias paranaenses e chamou atenção para um ponto que gerou preocupação entre lideranças locais: Toledo praticamente ficou sem grandes obras previstas no contrato inicial do lote 5 do pedágio.
Segundo ele, enquanto cidades vizinhas receberão viadutos, marginais, contornos e duplicações, Toledo aparece com poucas intervenções previstas.
“Quando analisamos o mapa do lote 5, Toledo praticamente ficou com um vazio de obras. Isso preocupa e exige mobilização regional para buscar melhorias futuras”, afirmou.
A declaração rapidamente virou um dos assuntos mais comentados entre os participantes do evento.
João Arthur explicou que o lote 5, administrado pela concessionária Via Campo, prevê mais de 238 quilômetros de duplicações, além de 102 viadutos, marginais e novos retornos em desnível em várias cidades do Oeste do Paraná.
Entre as principais obras previstas estão:
- duplicação entre Marechal Cândido Rondon e Mercedes;
- contorno de Guaíra;
- duplicação de trechos entre Cascavel e Maringá;
- novos viadutos e marginais em diversos municípios.
Por outro lado, segundo ele, Toledo aparece sem obras estruturais de grande porte previstas inicialmente no contrato.
O palestrante afirmou que a região precisa pressionar para que recursos extras sejam destinados ao município por meio das chamadas comissões tripartites, que envolvem concessionária, governo e representantes da sociedade civil.
“Existe um fundo de aproximadamente R$ 400 milhões que pode ser utilizado para obras não previstas originalmente no contrato. Toledo precisa participar dessas discussões”, destacou.
Durante a palestra, também foram apresentados os valores estimados dos novos pedágios na região.
Segundo João Arthur, os portais eletrônicos previstos entre Toledo, Cascavel e Guaíra devem cobrar cerca de R$ 10 por trecho.
Ele explicou que o sistema será totalmente eletrônico, sem praças físicas tradicionais.
O motorista que não possuir tag eletrônica terá prazo para acessar o sistema da concessionária e realizar o pagamento online.
Outro ponto debatido foi o desconto progressivo para usuários frequentes.
De acordo com o modelo apresentado, motoristas que utilizarem diariamente o trecho poderão ter redução gradual da tarifa ao longo do mês.
Além das rodovias, João Arthur também falou sobre os gargalos ferroviários do Paraná e defendeu investimentos para melhorar o transporte ferroviário no Oeste.
Segundo ele, a Serra da Esperança é hoje um dos principais obstáculos para expansão da capacidade ferroviária do estado.
O superintendente também citou o potencial do aeroporto de Toledo e afirmou que o município pode futuramente se tornar um polo importante para operações de carga aérea, especialmente para exportações da região.
“O aeroporto gera desenvolvimento e atrai investimentos. Muitas empresas analisam a estrutura logística antes de decidir onde investir”, afirmou.
Outro destaque da palestra foi a apresentação do Observatório dos Pedágios, plataforma criada pela Fiep para acompanhar todas as obras previstas nas concessões rodoviárias do Paraná.
A ferramenta permite que a população visualize cronogramas, duplicações, viadutos e intervenções previstas em cada trecho das rodovias concedidas.
O evento contou ainda com a presença do prefeito Mario Costenaro, empresários e representantes do setor industrial de Toledo e região.
Da Redação
